domingo, 29 de maio de 2011

Ita Ibaté - Argentina - Pousada Don Vidal 2011

Partimos de Curitiba de ônibus no dia 22 de Maio de 2011 com destino à Pousada Don Vidal em Ita Ibaté na Argentina. Nossa primeira parada foi em Foz do Iguaçu, com direito a Free Shop, Cassino e Bife de Chouriço na cidade de Iguazu (antiga Puerto Iguazu).

Nosso grupo era constituído por 16 amigos: Rogério, Edilberto, Valter, Paulo, Moreno, João, Zacarias, Adelar, Roney, Cláudio, Luiz Cláudio, Cordeiro, Luiz, Jaime, Gelson e eu (Fernando).




A ansiedade da saída era enorme e quando embarcamos no ônibus da Pantanal Tur (capitaneado pelos motoristas Manoel e Fernando) sabíamos que esta pescaria seria excelente e inesquecível como todas as outras, independente das condições do tempo e da quantidade de peixes, pois estávamos comemorando 10 anos do grupo de pesca É Nóis na Linha entre amigos e grandes companheiros.

Conforme nossa programação dormimos no Hotel San Rafael no centro de Foz do Iguaçu e partimos cedo para a Argentina. Notar que, embora antigo, o hotel está sendo remodelado e os apartamentos estão confortáveis e satisfatórios.

As autoridades argentinas.

Chegamos cedo na Aduana Argentina, onde teríamos que solicitar os permissos para ingressar em território Argentino daqueles que estavam apenas com a carteira de identidade brasileira. Aqui cabe a dica de levar passaportes, que eliminam a necessidade de elaboração dos permissos, reduzindo o tempo de permanência na Aduana Argentina. Após o trâmite de documentação, nosso ônibus foi parado pela fiscalização aduaneira por mais de três horas, somente sendo liberado quando o fiscal exigiu o pagamento de 100 pesos para não realizar a vistoria de todas as bagagens e equipamentos, que segundo ele poderia demorar mais "algumas" horas.

No posto de fiscalização rodoviária antes da cidade de Posadas fomos novamente parados por mais de uma hora e extorquidos novamente pelas "autoridades" argentinas. O policial rodoviário alegou que não estávamos todos com cinto de segurança e que a multa seria de 300 pesos para cada pescador e que esta multa deveria ser paga no fórum de Posadas e o ônibus somente seria liberado após o pagamento. Note que este mesmo policial nos alertou que o fórum já deveria estar fechado naquela hora e que talvez tivéssemos que dormir no local, quando finalmente este magnífico exemplar de um legítimo f.d.p. exigiu o pagamento de R$ 300,00 para liberar o grupo.

Cabe aqui uma nota, tirando estes dois episódios, sempre fomos tratados com cortesia e simpatia pelos argentinos e todos ficavam revoltados quando contávamos o quê havia acontecido conosco, afinal de contas éramos turistas levando dinheiro para uma região bastante pobre da Argentina.

A Pousada.






Chegamos na Pousada Don Vidal à noite (dia 23) e fomos recepcionados pela Da. Mirta, proprietária da pousada, que nos indicou nossos apartamentos (quádruplos e triplos). Os apartamentos são bastante simples e deixam a desejar, os colchões são velhos e bastante deformados, não existem armários suficientes nos quartos e todos estão carecendo de manutenção. Nosso apartamento tinha vazamento na pia do banheiro e a porta de entrada estava empenada, necessitando um pequeno chute em baixo da porta para ajudar a abrir. Os pontos positivos dos apartamentos eram o ar condicionado tipo split, silêncio externo e televisão, via satélite, com inúmeros canais, inclusive a Globo brasileira. O silêncio era apenas externo, pois o ronco de diversos companheiros chegava a assustar até os inúmeros Bugios que viviam nos arredores da pousada.

A sede da pousada é bastante bonita e rústica e tem uma equipe de cozinha muito simpática e competente, com os funcionários Cláudia e Ricardo cuidando bem da nossa alimentação para que ganhássemos alguns quilos extras durante a viagem. Soubemos que o Don Eduardo Vidal faleceu em 2010, talvez explicando um pouco a falta de cuidado com aspectos básicos de manutenção na Pousada. Desejamos que a família possa em breve corrigir estas falhas e retomar a qualidade dos serviços.








Os barcos são bons, quase todos com 19 pés e motores Yamaha 4 tempos entre 100 e 140 Hps, propiciando uma navegação suave e segura. Os piloteiros são profissionais, mas não são registrados, ganhando 100 pesos por dia de serviço. Este fato gera uma rotação entre pilotos e barcos e causa uma falta de cuidado com as embarcações, que durante nossos 04 dias de pesca não foram limpas. Em uma ocasião, os colegas Luiz Cláudio e Gelson ficaram parados por várias horas, pois o barco estava sem óleo, fruto da falta de preparo do piloteiro.

Estas observações são feitas no objetivo de mostrar à comunidade da pesca que nos acompanha as falhas do roteiro escolhido por nós, mas de modo algum quer dizer que não nos divertimos bastante.

A pescaria.

Logo no primeiro dia de pesca fomos premiados com muita chuva, especialmente no período da manhã. Esta chuva já era esperada pela previsão meteorológica, mas foi seguida da entrada de uma massa de ar frio que prejudicou bastante a pescaria.

O primeiro dia foi de reconhecimento e fomos atrás de dourados no corrico com artificiais de fundo nos trechos mais largos do rio sem nenhum sucesso e surubins na rodada em trechos de rio mais estreitos, especialmente entre ilhas.



Os primeiros exemplares foram as Cacharas, que atingiram até 20 quilos, sendo o maior capturado pelo colega João, que chegou a pegar um segundo exemplar no mesmo dia e que foi solto logo após a foto. Foram pegos ainda diversos dourados pequenos, pacus e piaparas (piaius). Fomos surpreendidos algumas vezes pela violência dos grandes surubins do Rio Paraná, que faziam carretilhas e molinetes cantarem e queimavam os polegares daqueles que se atreviam a tentar freiar o carretel com o dedo. Não tivemos um número grande de ações, mas quando uma grande cachara era fisgada perto da margem correndo para a galhada a chance de vitória do peixe era grande, mas a batalha se tornava mais justa e emocionante.







Segundo a regra passada pela Pousada, poderíamos levar até um exemplar de surubim (pintados e cacharas) por pescador para o Brasil, sendo que cada embarcação só poderia levar um exemplar por período (manhã e tarde). O controle é feito por um lacre que é afixado na nadadeira dorsal do peixe na hora do embarque e o pescador paga uma taxa de 50 pesos por lacre. No caso dos dourados, a pesca ainda está proibida e todos os exemplares capturados foram soltos, salvo um exemplar por dia para todo o grupo que poderia ser preparado na cozinha da pousada.

A isca mais utilizada para a pescaria de dourados e surubins foi o mussum (semelhante a uma pequena enguia) e para a pescaria de piaparas e pacus utilizamos milho, sendo que uma tentativa de pesca com pedaços de salame se mostrou bastante produtiva para pacus. Tentamos comprar tuviras, mas como não havíamos encomendado com antecedência, conseguimos apenas tuviras muito pequenas que foram ativas apenas para pequenos dourados.

No terceiro dia, alguns colegas seguiram rio abaixo para tentar alguns dourados maiores e o colega Moreno conseguiu capturar um belo exemplar com mais de 15 quilos quando já estava se preparando para recolher as tralhas. Ele estava comentando com o colega Roney que deveriam ir embora quando sentiu uma beliscada na sua linha seguida de uma bela corrida e um salto único, mostrando a imponência do peixe e fazendo o coração palpitar forte até o embarque e fotografia deste belo dourado.




Alguns pescadores do nosso grupo estão migrando para a pesca esportiva e tem soltado os peixes capturados, enquanto outros ainda preferem trazer alguns peixes para celebrar com amigos e familiares, mas nosso grupo é democrático e sabemos respeitar a forma de cada um pensar.

Resumindo, tivemos uma viagem muito agradável apenas atrapalhada por algumas autoridades corruptas da argentina, mas já estamos prontos para outra.

7 comentários:

  1. Parabens pelo blog.Voce lembrou e descreveu nos minimos detalhes a nossa viagem.Adorei!!!!!
    Abraços,Moreno

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  2. Fernando voce tem talento...como pescador e tambem como blogueiro na proxima pescaria leve mais vitacana para evitar lesão no polegar dos colegas.ate 2012.
    Roney

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  3. De modo a preservar o quê restou de moral do nosso colega, eu preferi omitir os detalhes sobre o episódio "vitacana". Abs, Fernando.

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  4. sabe me informar o valor da diaria nesta pousada??

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  5. Nós montamos um pacote para o grupo, incluindo transporte, hospedagem em Foz e alimentação na viagem e custou R$ 2.600,00 por pescador. A diária avulsa na pousada era cotada em dólares e custava USD 175.00.

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  6. Galera, eu sou de uma empresa onde vende pescasria na Argentina ( www.pescaesportivaargentina.com.br ) a nossa empresa trabalha somente com pesca na argentina, trabalhamos com mais de 10 pousadas,
    O que o colega relatou sobre as autoridades é a mais pura verdade,
    QUANTO A POUSADA DOM VIDAL, A mesma estava com situacao a desejar, porem no ultimo ano melhorou os seus serviços e hoje é uma das melhores que tem na região, super recomendada.

    quaisquer duvidas ou sugestoes, estou a inteira disposição. ( joel@loumarturismo.com.br ) 45 9968 1999

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    1. Caro Joel,

      obrigado pelos comentários. Nosso objetivo é sempre colaborar com a comunidade da pesca esportiva, avaliando os lugares por onde passamos e, apesar de alguns problemas, tivemos ótimos dias na Don Vidal.

      Sds,

      Fernando.

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